Uma Caminhada de Fé: Irmãs Franciscanas de Ingolstadt percorrem os caminhos de Francisco e Clara em Assis

Blog | 08 de October de 2026

Uma Caminhada de Fé: Irmãs Franciscanas de Ingolstadt percorrem os caminhos de Francisco e Clara em Assis
Depois de viverem a primeira etapa do Itinerário Formativo Franciscano em Roma, as Irmãs seguiram para Assis, terra de São Francisco e Santa Clara. Entre igrejas, eremitérios, montanhas e espaços que guardam séculos de memória franciscana, o grupo mergulhou numa experiência de formação, contemplação, fraternidade e aprofundamento espiritual.

Mais do que conhecer os lugares que marcaram a trajetória de Francisco e Clara, a peregrinação tornou-se um convite a revisitar a própria vocação, escutar novamente o chamado de Deus e renovar o compromisso de viver o Evangelho no presente.

Ao longo dos dias, cada caminho percorrido trouxe uma pergunta, uma reflexão ou um convite. Em Assis, a história de Francisco e Clara não permanece apenas nos livros: pode ser contemplada nas ruas, nas pedras, nas igrejas e nos lugares que guardam o legado de suas vidas e continuam inspirando, hoje, novos caminhos de fé e de missão.


Ao encontro de Francisco e Clara

A chegada a Assis foi marcada pela beleza da criação. No percurso pelo Vale de Rieti, Perugia e Spoleto, entre montanhas, curvas e paisagens, o grupo encontrou também um convite ao silêncio, à contemplação e à gratidão.
A viagem trouxe a lembrança carinhosa da saudosa Ir. Bernarda Sette, cujas histórias e experiências em Assis permanecem vivas no coração das Irmãs.

Já em Assis, a peregrinação começou com a celebração da Santa Missa e uma reflexão sobre a abertura do coração para reconhecer um Deus vivo, que surpreende e convida a trilhar novos caminhos.

Na formação conduzida por Frei Estevão Ottenbreit, as Irmãs aprofundaram a história do Movimento Franciscano, a tradição franciscana e os escritos de Francisco e Clara. O convite era também para uma atitude interior: ser pessoas atentas e disponíveis àquilo que Deus pede.

Pelas ruas de Assis, a história ganhou forma. A Catedral de São Rufino, a Casa de Santa Clara, a casa onde Francisco nasceu e viveu e outros lugares ligados à trajetória dos dois santos revelaram marcas de duas pessoas empenhadas em viver o Evangelho com alegria e fidelidade.

Em Assis, a história não está apenas nos livros, permanece viva nos lugares que guardam a memória de Francisco e Clara. Caminhar por esses espaços tornou-se, assim, também uma oportunidade de olhar para a própria caminhada de fé.


“Senhor, que queres que eu faça?”

A peregrinação levou as Irmãs a uma pergunta central na experiência de Francisco: “Senhor, que queres que eu faça?”

Diante do Crucifixo, Francisco viveu um momento decisivo de sua vocação. A pergunta abriu um caminho de discernimento, entrega, missão e, séculos depois, continuou provocando as Irmãs durante o itinerário formativo.

Na Porciúncula, dentro da Basílica de Santa Maria dos Anjos, o grupo recordou o amor de Francisco pela salvação das almas e seu desejo de que ninguém fosse excluído da misericórdia de Deus.

No Mosteiro de Santa Clara, a reflexão voltou-se para os “vales” da humanidade: lugares e pessoas que continuam esperando proximidade, solidariedade e acolhimento.

Percorrer os caminhos de Francisco significou, então, olhar também para os caminhos de hoje. Sair das próprias seguranças, aproximar-se de quem sofre, devolver dignidade, esperança e cultivar o diálogo como caminho de paz.

“Dialogar é essencial para viver!”

A pergunta de Francisco permanecia atual: diante das necessidades do mundo e das pessoas que encontramos, “Senhor, que queres que eu faça?”



Retirar-se para encontrar, voltar para servir

A experiência no Eremitério Cárcere aprofundou outra dimensão essencial da Vida Religiosa: a relação entre contemplação e ação.

Na espiritualidade franciscana, o silêncio não representa afastamento definitivo da realidade. São Francisco e seus companheiros buscavam nos eremitérios um espaço de oração, silêncio e intimidade com Deus, mas esse tempo de recolhimento estava ligado à missão.

Por isso surgiu, durante a peregrinação, a imagem do “ir e voltar”: retirar-se para encontrar Deus e retornar à vida para servir aos irmãos.

Nesse percurso, cada Irmã teve um tempo pessoal de silêncio, oração e contemplação em meio à floresta. A experiência conduziu a uma reflexão sobre a identidade de cada pessoa como criatura feita à imagem de Deus e sobre o chamado diário a tornar-se cada vez mais semelhante a Jesus.

Entre o silêncio e a missão, a caminhada trouxe uma certeza: estar com Deus também nos prepara para estar com os irmãos.


Pelos eremitérios franciscanos: um caminho de conversão

A peregrinação continuou pelo Vale de Spoleto e pelo Vale de Rieti, conhecido como a “segunda pátria” de Francisco.

Durante o percurso, as Irmãs refletiram sobre a trajetória de conversão do jovem Francisco e sobre uma verdade que atravessa toda a experiência franciscana: a conversão não acontece somente em momentos extraordinários, mas também no cotidiano, nos lugares onde vivemos, trabalhamos e nos relacionamos.

Em Poggio Bustone, Greccio e Fonte Colombo, cada eremitério apresentou uma dimensão particular da espiritualidade franciscana: a misericórdia de Deus, o mistério da Encarnação e a busca por uma vida profundamente enraizada no Evangelho.

Em Greccio, o grupo foi convidado a contemplar especialmente a misericórdia e o perdão de Deus. Francisco compreendeu que o Pai acolhe também as fragilidades, feridas e limitações humanas, transformando-as pela graça.

Foi também em Greccio que nasceu o desejo de Francisco de contemplar com os próprios olhos a pobreza na qual nasceu o Salvador. Em 1223, essa experiência deu origem ao primeiro presépio, expressão de seu amor pelo Cristo encarnado, pobre e próximo da humanidade.

A experiência dos eremitérios recordou, assim, que a conversão é um caminho permanente, vivido na simplicidade, sustentado pela fraternidade e iluminado pela alegria do Evangelho.


Monte Alverne: quando a peregrinação deixa marcas na alma

Alguns caminhos são percorridos com os pés. Outros, por dentro. Essa experiência ganhou uma expressão especial no Monte Alverne, um dos lugares mais significativos da tradição franciscana.

Durante o percurso, Frei Estevão conduziu uma reflexão sobre os últimos anos da vida de São Francisco, marcados por provações, questionamentos e pelo desejo de permanecer fiel ao Evangelho.

Francisco recorda que a radicalidade evangélica não significa afastar-se da humanidade. Ao contrário, traduz-se em proximidade, misericórdia, respeito e sensibilidade diante das fragilidades. Sua humildade também se revelou quando renunciou ao governo da Ordem para permanecer como irmão entre irmãos, colocando-se a serviço de todos.

No Monte Alverne, em meio à beleza da criação, o grupo rezou, cantou e silenciou. Foi ali que, em 1224, Francisco recebeu os Estigmas, sinal de sua profunda configuração a Cristo e expressão do caminho de amor que havia escolhido seguir.
A oração e a procissão das 15 horas, junto à comunidade dos frades, encerraram a experiência. No retorno a Assis, as Vésperas marcaram o final do dia, assim como as Laudes haviam marcado seu início: em oração.

Mais do que guardar a lembrança de um lugar histórico, as Irmãs seguiram levando uma experiência que havia deixado marcas profundas na alma.


No caminho do despojamento

A peregrinação também conduziu as Irmãs a refletirem sobre o despojamento como caminho de liberdade interior. Mais do que renunciar aos bens materiais, o despojamento nos convida a reconhecer aquilo que também precisamos deixar para trás: certezas, expectativas e desejos que, muitas vezes, acreditamos ser indispensáveis.

No Santuário Santa Maria Maggiore, lugar profundamente ligado à experiência do despojamento de São Francisco, essa reflexão ganhou ainda mais significado.

Durante a visita, chamou a atenção a devoção dos fiéis a São Carlo Acutis. Sua presença espiritual se fazia sentir no fervor daqueles que chegavam para rezar, agradecer e encontrar inspiração em seu testemunho de vida e santidade.

Mais tarde, a peregrinação seguiu até Perúgia. Entre ruas repletas de história, o grupo conheceu o Centro Universitário e teve a oportunidade de rezar na Catedral, contemplando também, do ponto mais alto da cidade, uma vista privilegiada do Monte Subásio.

Diante daquela paisagem tão ligada à vida de São Francisco, o dia terminou com uma certeza: a verdadeira grandeza nasce da simplicidade.


Santa Clara: uma vocação que continua a nos ensinar

No encerramento da experiência em Assis, as Irmãs aprofundaram a história e o testemunho de Santa Clara.

Em 1212, Clara abraçou o Carisma de São Francisco com profunda paixão pelo Evangelho e fez de sua vida um caminho contínuo de conversão, fidelidade, desapego e perseverança.

Sua espiritualidade nos ensina que a vocação não é um caminho pronto, mas uma jornada que se revela e se aprofunda ao longo da vida, sempre aberta à redescoberta e ao renovado ardor.

Na vida de Clara, as Irmãs contemplaram também um testemunho de fraternidade, cuidado, igualdade e amor mútuo, expresso de modo particular em sua defesa pelo privilégio da pobreza.

A experiência de Clara ajudou a olhar novamente para a vocação como um caminho que precisa ser continuamente acolhido, cuidado e vivido.


Caminhar na luz

A peregrinação levou as Irmãs à Basílica Papal de São Francisco, onde rezaram junto ao seu túmulo e ao de alguns de seus primeiros companheiros. Depois, na Basílica de Santa Clara, visitaram seu túmulo e contemplaram o Crucifixo original de São Damião, diante do qual Francisco ouviu o chamado a restaurar a Igreja. Também conheceram importantes relíquias franciscanas, entre elas, as vestes de Francisco e Clara.

Ao final do dia, um momento especialmente simbólico encerrou a experiência: a Procissão Luminosa na Porciúncula.

Caminhar na luz tornou-se também uma imagem da própria peregrinação. As Irmãs não encerravam apenas uma etapa geográfica, mas levavam consigo tudo aquilo que haviam vivido, rezado, aprendido e partilhado.


Uma Caminhada de Fé que continua

A passagem por Assis foi uma experiência de formação, oração, silêncio, fraternidade, memória e discernimento. Cada lugar visitado trouxe uma pergunta; cada celebração, uma oportunidade de escuta; cada caminho, um convite à conversão.

Entre o chamado de Francisco, a radicalidade de Clara, o silêncio dos eremitérios, a experiência dos Estigmas, o convite ao despojamento e a luz da Procissão na Porciúncula, as Irmãs foram conduzidas a olhar novamente para sua própria vocação e missão.

Ao deixar Assis, o grupo seguiu rumo a Ingolstadt, berço da Congregação, levando consigo a gratidão pelas graças recebidas e a riqueza de uma experiência que continua a iluminar o caminho.

A caminhada por Roma e Assis chegou ao fim, mas o itinerário formativo continua.

Porque uma verdadeira peregrinação não termina quando deixamos um lugar. Ela continua dentro de nós, quando aquilo que vivemos nos ensina a olhar de um novo modo para Deus, para os irmãos e para a nossa própria missão.

Uma Caminhada de Fé continua...
Paz e Bem!