Ex.ª Rev.ma Dom João Gilberto de Moura, bispo de Lins
Reverenda Madre Ir. Maria Clara Massaranduba de Freitas, Superiora Geral IFI
Caríssimos Irmãos e Irmãs,
Aos pés de Nossa Senhora Aparecida, uma reflexão sobre o jubileu, a memória, a missão e a luz de Cristo que atravessa os séculos.
No dia 4 de setembro de 2026, no contexto das celebrações do Jubileu de 750 anos das Irmãs Franciscanas de Ingolstadt, foi realizada a homilia que marcou um momento de ação de graças pela história, pela vocação e pela missão da Congregação.
A reflexão partiu do Evangelho de Lucas 6,1-5, no qual Jesus ensina que a Lei de Deus é amor e misericórdia e existe para servir à vida. Ao declarar-se “Senhor do sábado”, Cristo revela a verdadeira compreensão do mandamento, colocando a misericórdia no centro.
Jubileu: tempo de alegria, memória e renovação
A palavra jubileu indica júbilo, uma alegria que se manifesta tanto interior quanto exteriormente. A homilia recordou as palavras de Jesus no Evangelho de Lucas:
│“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista: para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19).
A partir dessa passagem, a homilia afirma: “Toda atividade de Jesus é jubilar.”
No cristianismo, o tempo possui grande importância. Cristo é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A Ele pertencem o tempo e a eternidade. Cada ano, cada dia e cada momento são abraçados por sua encarnação e ressurreição, reencontrando-se na chamada “plenitude do tempo”.
Nesse sentido, o Jubileu torna-se um momento especial para olhar para a caminhada realizada e, ao mesmo tempo, renovar o caminho que continua.
Fazer memória para fortalecer os laços
A homilia também recorda o pensamento de Santo Agostinho, para quem existem três tempos: o presente do passado, que é a memória; o presente do presente, que é a percepção imediata; e o presente do futuro, que é a espera.
É justamente nessa perspectiva que o Jubileu ganha significado: celebrar o mistério do Deus Trinitário que caminha conosco.
É um tempo propício para fazer memória, fortalecer os laços fraternos, criar pontes, buscar a conversão da mente e do coração, agradecer e festejar a caminhada e a vida a serviço da vida.
Também é um convite para manter os olhos fixos em Cristo e não perder de vista “o ponto de partida”: aquele chamado inicial que conduz ao “sim” a Deus e ao seu projeto de salvação.
750 anos de uma história de fé e missão
A celebração dos 750 anos é, antes de tudo, uma ação de graças pelo dom da vocação das Irmãs Franciscanas de Ingolstadt, apresentadas na homilia como uma das mais antigas Congregações femininas do Carisma franciscano.
A Congregação nasceu na Região Alemã da Baviera, no século XIII, na cidade de Ingolstadt, às margens do Rio Danúbio.
Duas jovens nobres, Diemuth Thrailacherin e Margareth von Puch, abandonaram a casa paterna para iniciar uma vida de serviço a Deus e aos pobres, como Irmãs de todos. Eram denominadas “Beguinas” ou “Irmãs das Almas”.
Inspiradas na espiritualidade de São Francisco e Santa Clara de Assis, Diemuth e Margareth fundaram esta Congregação que, por meio do trabalho e da caridade, buscava restaurar vidas e transformar o “vale de lágrimas em Vale de Graças”.
Ao longo de sua trajetória histórica, as Franciscanas de Ingolstadt viveram sua missão como monjas, professoras e missionárias.
Da Alemanha ao Brasil: uma luz que continua a brilhar
A história da Congregação também atravessou fronteiras.
Em 12 de outubro de 1938, dia de Nossa Senhora Aparecida, um grupo de cinco Irmãs Franciscanas de Ingolstadt chegou ao Brasil. Em 1939, chegou um segundo grupo, formado por sete Irmãs.
Atualmente, as Irmãs estão presentes nas regiões Sudeste, Sul e Norte do Brasil, mantendo viva uma missão que também alcança Angola.
É nesse contexto que ganha força o lema do Jubileu:
“750 anos, uma luz atravessa os séculos.”
E também a expressão celebrativa:
“750 anos, de graça, missão e fé. Alemanha, Brasil e Angola a cantar: a Luz continua a brilhar.”
A luz celebrada é a própria luz de Cristo, pois, como recorda a homilia a partir do Evangelho de João, Cristo é “a luz do mundo” (Jo 8,12). Sua presença ilumina a vida, erradica o medo e a insegurança e dá sentido e valor à existência.
Cristo caminha conosco
A celebração no Santuário Nacional de Aparecida também trouxe à reflexão a certeza de que o Ressuscitado permanece presente na caminhada:
│“Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).
A presença de Maria também foi contemplada a partir das palavras de São João XXIII, que apresenta a missão da Mãe como aquela que traz a Luz ao mundo e revela o rosto do Redentor.
│“A intercessão de Maria revela ao mundo, com grande esplendor, o rosto do Redentor, tanto a quem já o viu, quando a quem ainda não o conhece. Essa é a missão da Mãe: trazer a Luz ao mundo” (S. João XXIII).
Ao final, a homilia recorda ainda as palavras do Papa Bento XVI, apresentando Jesus como o caminho aberto a todos e caminho de paz, enquanto a Virgem Mãe indica e mostra esse caminho.
│“Jesus é o caminho que podemos seguir, aberto para todos. É o caminho da paz. A Virgem Mãe nos indica, nos mostra o caminho: sigamo-la! E Vós, Santa Mãe de Deus, acompanha-nos com a vossa proteção” (Papa Bento XVI).
Uma luz que atravessa os séculos
Celebrar 750 anos é fazer memória de uma história que nasceu em Ingolstadt, atravessou gerações e chegou a diferentes povos e lugares.
É agradecer pela vocação, pela missão e por cada vida alcançada ao longo dessa caminhada.
E é também olhar para o futuro com os olhos fixos em Cristo, reconhecendo que a luz continua a brilhar.